23 Dec 2016

O verão, período importante para a atividade agrícola - deverá ter temperaturas altas e chuvas generalizadas em quase todo o Brasil, segundo prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Hemisfério Sul, a estação começou oficialmente às 8h44 (horário de verão, Brasília) desta quarta-feira (21) e termina às 7h29 de 20 de março de 2017.

De acordo com o Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as mudanças nas condições de tempo no verão são marcadas por chuvas em forma de pancadas, temporais com possibilidade de granizo, ventos fortes e elevação das temperaturas.

Por suas características climáticas, o verão é fundamental a agricultura em quase todo o país. A frequência e a quantidade de chuvas neste período têm reflexos no bom desempenho da produção de grãos da primeira safra e da safrinha no país.

Abaixo, o prognóstico do Inmet para a estação:

Previsão climática para o verão

O verão será marcado pela atuação do fenômeno oceânico-atmosférico La Niña, de forma fraca. De modo geral, a ocorrência deste fenômeno, com baixa intensidade, é favorável às chuvas na Região Nordeste e desfavorável no Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, nos meses de verão e outono.

Entretanto, outros fatores, como a temperatura na superfície do Oceano Atlântico Tropical e na área oceânica próxima à costa do Uruguai e da Região Sul, poderão influenciar, dependendo das suas características climáticas durante essas estações, no regime de chuvas, intensificando ou atenuando os efeitos do La Niña.

A formação e atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) serão os principais sistemas meteorológicos a atuar no norte da Região Nordeste durante o verão.

Prognóstico climático por região

A qualidade das chuvas - frequência e quantidade - nos meses de verão é fator crucial para o bom desempenho na produção de grãos da primeira safra e da safrinha no Brasil. Neste contexto, uma análise prognóstica das condições climáticas para todo o país no trimestre janeiro, fevereiro e março de 2017 (mapa abaixo) se apresenta como importante ferramenta de auxílio para o manejo dos cultivos e o planejamento agrícola.

Os prognósticos se baseiam na análise das tendências das condições oceânico-atmosféricas, que influenciam o clima no Brasil e em projeções de modelos climáticos estocásticos, como o do Inmet.

Região Norte

A Região Norte apresentou um primeiro semestre seco em 2016 chegando a ter áreas com estiagem classificada como de extrema intensidade.

De modo geral, os modelos climáticos indicam que a região deve apresentar forte variabilidade espacial na distribuição de chuvas, com significativa probabilidade de áreas com precipitação dentro da faixa normal ou acima, principalmente no Amazonas, Pará e Tocantins. Algumas áreas dos estados do Acre e Rondônia poderão apresentar irregularidade na distribuição das chuvas.

Região Nordeste

A climatologia da Região Nordeste é marcada pelo início das chuvas em janeiro (pré-estação). Os valores de precipitação serão menores em grande parte do litoral leste entre Natal e Aracaju.

No verão de 2017, a posição mais ao sul da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), a posição mais a oeste e mais ao sul da Alta Subtropical do Atlântico Sul e, o mais importante, a formação de Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) trazem grande possibilidade da ocorrência chuvas, no setor norte e leste da região, se distribuírem de normal até acima da normal climatológica neste período.

Ressalta-se que o nordeste brasileiro passa por cinco anos consecutivos de seca (2012-2016) em alguns estados, como o Ceará, que teve a maior seca desde de 1910.

O verão poderá ser marcado por chuvas regulares em quase toda a região, igual aos anos análogos "1875/1876, 1895/1896, 1912/1913, 1946/1947, 1964/1965, 1973/1974, 1984/1985 e 2009/2010".
Por fim, ressalta-se que, apesar da expectativa de chuvas, a gestão minuciosa dos recursos hídricos é primordial.

Região Centro-Oeste

Assim como ocorreu na Região Norte, o primeiro semestre de 2016 foi marcado por irregularidade de chuva e acumulados de precipitação inferiores à normal climatológica no Centro-Oeste. Em algumas áreas da região, houve mais que 90 dias sem chuvas significativas. Tal fato acarretou em represas e reservatórios hídricos em baixa, causando racionamento de água em algumas áreas da região e risco de racionamento de água em outras, como o Distrito Federal, até o mês de novembro.

No verão, inicia a atuação de formação de sistemas de baixa pressão atmosférica, que geralmente estão associados à ocorrência de chuvas regulares e intensas. A previsão para os próximos três meses (janeiro, fevereiro e março) indica chuvas acima da normal climatológica em grande parte dos estados de Goiás e Mato Grosso.

Com a possível posição da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) mais ao norte de sua posição climatológica, existirá a possibilidade, inclusive, de eventos extremos como chuvas intensas, ventos fortes e queda de granizo em todos os estados da região.

Tais níveis, de chuva esperada, poderão beneficiar a agricultura e o desenvolvimento para cultivos no Centro-Oeste. Em contrapartida, o prognóstico para o sul do estado de Mato Grosso do Sul indica maior probabilidade de chuvas irregulares e abaixo da normal climatológica para o trimestre.

Região Sudeste

No Sudeste, sistemas de baixa pressão atmosférica, posição da Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), ausência de bloqueios atmosféricos e a formação frequente da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) favorecem chuvas, por vezes de forte intensidade em toda a região.

A previsão de longo prazo indica chuvas com grande variabilidade espacial e temporal. Ressalta-se ainda que a média trimestral de precipitação é alta. Há uma tendência de anomalias positivas de precipitação na divisa dos estados de São Paulo, Minas Gerias e do Rio de Janeiro, beneficiando a agricultura, o desenvolvimento dos cultivos e a recarga dos reservatórios.

Fonte: MAPA