03 Oct 2016

A moagem de cana do centro-sul do Brasil na temporada 2016/17 poderá cair em relação à temporada anterior, considerando o atual ritmo de colheita e produtividade agrícola, enquanto a fabricação de açúcar deverá crescer fortemente, com o setor destinando mais matéria-prima para o adoçante, mais lucrativo que o etanol.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) afirmou na última sexta-feira (30) que a moagem da região que responde por cerca de 90% da produção de cana do Brasil deverá ficar próxima do limite inferior da previsão publicada pela associação de produtores em abril deste ano, que varia de 605 milhões a 630 milhões de toneladas.

A previsão considera que a queda na moagem poderá ocorrer se for mantido o ritmo de produção observado até o momento e a tendência de queda na produtividade agrícola da lavoura colhida, afirmou a Unica em nota.

Consultorias como a FCStone e a Datagro já tinham alertado para essa possibilidade de queda na moagem, com a safra tendo sido afetada por seca e até por geadas.

Dados preliminares apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) indicam que a quebra da produtividade agrícola no centro-sul, variando de 1,48% em Minas Gerais a 15,83% no Estado de Goiás na primeira quinzena de setembro, em comparação ao mesmo período de 2015, disse a Unica.

Com relação à qualidade da matéria-prima do centro-sul, a concentração de açúcar na cana (medida pelo ATR) permanece praticamente estável, recuando no acumulado da safra apenas 0,29%.

O grupo que reúne as usinas do centro-sul, no entanto, divulgou que a moagem está maior na comparação com o mesmo período do ano passado, sem fazer mais considerações, se a safra será mais curta do que a registrada no ano passado, por exemplo.

A moagem no acumulado da safra 16/17 até 16 de setembro atingiu 431,3 milhões de toneladas, com alta de 7,87%, após o processamento ter crescido 26,87% na primeira quinzena de setembro ante o mesmo período ano passado, mas caído ligeiramente ante a segunda quinzena de agosto.

Açucar em alta

Por outro lado, a Unica acrescentou que a produção final de açúcar na safra deve atingir valor próximo do limite superior divulgado inicialmente (de 33,5 a 35 milhões de toneladas), com usinas privilegiando a fabricação do adoçante, devido a bons preços.

Isso significa que a produção deverá crescer fortemente na comparação com o total de 31,2 milhões de toneladas da temporada passada, com o total de cana destinado para o açúcar em 45,9% no acumulado desta safra, ante 41,6% no mesmo período em 2015/16.

No acumulado da safra, a produção de açúcar disparou 19,25%, para 24,8 milhões de toneladas.

Já a produção de etanol deve ficar aquém do mínimo estimado (no intervalo de 27,5 bilhões a 28,7 bilhões de litros), com destaque para a retração na oferta de etanol hidratado, que tem perdido mercado para a gasolina nas vendas.

A produção de etanol atingiu 28,2 bilhões de litros na temporada passada, com o hidratado somando 17,58 bilhões de litros.

Na acumulado da safra atual, a produção de etanol hidratado soma 10,6 bilhões de litros, queda de 6,64 ante o mesmo período do ano passado, enquanto a produção total (incluindo anidro) está em cerca de 18 bilhões de litros, praticamente estável.

Fonte: Reuters