12 Sep 2016

São Paulo, setembro de 2016 – Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção total de grãos será a menor no Brasil desde 2012. Só a soja, uma das principais culturas do país, deve ter uma safra de 95,4 milhões de toneladas, 1% menos do que na anterior. O número preocupa já que o Brasil é considerado o segundo maior produtor mundial do grão, sendo também o segundo maior exportador, atrás apenas dos Estados Unidos. Além disso, a soja também é responsável por mais de 80% da produção de biodiesel, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Um dos fatores responsáveis por essa queda é o clima. De acordo com Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo, as condições climáticas podem atrasar o início da semeadura em 2016. “Embora já tenham sido verificadas algumas pancadas de chuva pelo país, o solo continua muito seco. A chuva vai demorar um pouco para chegar e o plantio pode ser prejudicado no Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e nas regiões Norte e Nordeste. Já Mato Grosso do Sul, São Paulo e o sul do Brasil continuam sujeitos à chuvas mais regulares”, explica.

Na safra 2015/2016, o fenômeno El Niño prejudicou a temporada de plantio. Esse ano, com a proximidade do La Niña, os produtores podem enfrentar novos desafios climáticos. “Ela pode interferir atrasando a chuva regular no início do plantio e trazendo chuva acima da média em março. Podemos, ainda, ter um prolongamento das precipitações no final do período úmido, o que deve influenciar negativamente a colheita”, diz. 

Dos três principais estados produtores de soja do Brasil, o Paraná é o único que não será tão afetado. “A região pode ter clima mais favorável, inclusive em relação à temporada passada, quando teve muita chuva”, finaliza.

 

Fonte: Assessoria de imprensa Climatempo