27 Jan 2017

O Rio Grande do Sul vendeu e faturou menos com as exportações em 2016. No total, as vendas gaúchas ao mercado externo no ano passado atingiram US$ 16,578 bilhões, queda de 5,4% em relação a 2015. É a terceira queda consecutiva no valor, que chegou ao menor patamar desde 2010. Ao contrário do que acontecia nos anos anteriores, porém, dessa vez não foram os preços que puxaram a redução, mas sim o volume. Afetado pelos grãos, o total embarcado decresceu 7,4% e comprometeu os ganhos de 2,5% nos preços recebidos pelos produtos.

O desempenho ruim das vendas do Estado é determinado, em grande parte, pela conjuntura internacional. O pesquisador Tomás Torezani, da Fundação de Economia e Estatística (FEE), ressalta que, embora os dados ainda não estejam consolidados, é bastante provável que 2016 se confirme como o pior ano para o comércio internacional desde 2009. Além disso, o ano marcou ainda o avanço nas práticas protecionistas ao redor do planeta, que também contribuíram para o cenário negativo para quem exporta, como o Rio Grande do Sul. "Mesmo assim, o volume é o segundo maior da série histórica (iniciada em 1989), perdendo apenas, justamente, para o ano anterior", relativiza o pesquisador.

Ainda segundo Torezani, o principal impacto para a queda do volume exportado veio de nosso principal produto, a soja em grão. Responsável por 23% de todas as vendas externas do Estado no ano passado, o grão teve queda de 10,6% no peso exportado, que gerou redução de 7,9% no valor total. "A venda da soja vinha em crescimento desde 2012, ano da última grande quebra. Dessa vez, porém, a produção até aumentou ( 3,2%), mas não refletiu na exportação", comenta.

Os motivos, de acordo com o pesquisador, foram tanto a quebra da produção de soja em outros estados, que fizeram o grão gaúcho ser escoado em maior quantidade para o mercado interno, quanto a especulação por parte dos produtores. "Como os preços voltaram a crescer e, no fim do ano, o câmbio começou a desvalorizar, os produtores seguraram parte da safra para esperar um preço ainda melhor", argumenta. Outros destaques negativos foram o trigo (-70,7% em valor), que acabou ficando no mercado interno graças à boa qualidade, e o arroz (-30% em valor), por conta da quebra de safra.

Se nos produtos básicos o desempenho não foi muito animador, os setores mais bem-sucedidos em 2016 vieram dos manufaturados e semimanufaturados. O maior crescimento, como já era esperado, foi visto nas vendas de celulose, graças ao primeiro ano completo de operação da nova planta da Celulose Riograndense, em Guaíba. O volume embarcado do produto chegou a 1,4 milhão de toneladas, alta de 118,8% em relação a 2015. A celulose já é o sexto principal item na pauta do Estado.

Após algum tempo, também os calçados tiveram um ano positivo, crescendo 42,3% em volume e 17,8% em valor. Além do câmbio favorável, a própria contração do mercado interno acabou migrando a produção para o exterior, alcançando mais de 100 países. Destacaram-se ainda os automóveis, na esteira de acordos com países da América do Sul, expansão de 47,1% no volume e 46% no valor exportado.

China (26,1% do total), Argentina (7,9%) e Estados Unidos (7,4%) dominaram mais uma vez as vendas gaúchas. O apetite do país asiático gerou resultados mais expressivos na indústria das carnes. Na carne suína, por exemplo, o embarque para a China cresceu impressionantes 1.346%, que puxaram o crescimento de 22,3% em volume e 6,7% em valor para o produto. Já nos bovinos, a China aumentou suas compras em 539%, gerando aumento para o segmento de 25,6% em peso e 31,1% em valor. 

 

Exportações gaúchas 2016

 

Fonte: Jornal do Comércio