Reservas de arroz estão em níveis críticos

19 Jul 2016

De acordo com o economista e produtor rural Gilberto Pilecco, "as reservas de alimento (arroz) então em níveis críticos". No entanto, ele aponta que o mercado mundial nesta temporada 2016/17 está operando encima da produção futura, que está projetada para ser uma safra cheia com 480,72 milhões de toneladas (segundo relatório de junho da USDA, o Departamento de Agricultura dos EUA).

Por outro lado, segundo Pilecco, o consumo vai em crescimento de 481 milhões, pelo qual "os países e seus ministérios de agricultura deverão, nos próximos 5 anos, incentivar com eficiência a produção de arroz e na outra mão quem sabe fazer como a Indonésia, e instituir o Dia Semanal sem arroz".

"O mercado tem sido bastante indiferente e os preços se mantiveram fracos, embora o forte El Niño complicou ainda mais importantes países e suas necessidades de atenderem o consumo interno", destaca o especialista. Ele explica que as reservas atuais estão em torno de 88 milhões de toneladas, segundo a USDA, quando o nível confortável deveria ser de no mínimo de 100 milhões pelo ratio atual (razão entre estoque e consumo).

"A indiferença no decorrer de 2015/16 manteve-se em cima do exportável da Tailândia e da Índia. A Índia com um disponível não significativo para o contexto da necessidade mundial, com em torno de 7 milhões de arroz não basmati e de, no máximo, 4 milhões de basmati", conta o economista.

"Difícil desenhar nas mentes importantes dos agentes de mercado essa decadência de reserva em país importante como a Índia e não haver especulação. A Ásia, o coração da necessidade de consumo mundial de alimentos (90% do consumo e produção do arroz), estando na ?UTI safenados?, e mesmo assim conseguiram funcionar como amortecedor contra o mercado irracional e de especulação", ressalta.

Segundo ele, a situação do Brasil não é diferente, pois em 2013 e 2014 o governo zerou os estoques de arroz da Conab. "O Brasil sempre teve reservas de segurança. No geral o mercado mundial permaneceu funcional, motivado não pelos fundamentos do próprio mercado, mas pelo aprendizado da crise de 2007/08, quando os preços mundiais chegaram a patamares especulativos nunca vistos anteriormente e muito fora da realidade do negócio. Isso não significa que a qualquer momento o mercado não vá modificar-se e até ser especulativo, principalmente a partir de setembro e outubro do corrente ano, quando já possuímos o desenho da safra mundial vindoura", conclui.

Fonte: FMC