17 Aug 2016

Roraima está numa situação econômica favorável ao agronegócio. É considerado a nova fronteira agrícola do país e, por isso, o estado é visto por empresários rurais de outras regiões do Brasil como atrativo para novos investimentos. A bola da vez é a plantação de soja no Lavrado que tem expectativa de colheita para 2016 de 72 mil toneladas, o que equivale a 1 milhão e 200 mil sacas de 60 kg, economia que gira em torno de quase R$ 88 milhões.

“Cada saca é vendida ao preço de R$ 74,00, conforme a variação do dólar americano. Todos os empresários que chegam em Roraima investem em equipamentos, crédito, melhoria do solo e logística. Se a cadeia do plantio do grão estiver funcionando integrada, futuramente pretendemos alcançar 100 mil hectares”, destacou o presidente da Comissão da Colheita 2016, Marlon Buss, confirmando que o aumento da produção representa cerca de 20% do PIB de Roraima, o que quer dizer, segundo ele, a libertação do setor produtivo. 

A Comissão da Colheita da Soja – composta pela Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima (FAERR), empresários do ramo e a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seapa), calculam a exportação pelos portos de Georgetown/GY (distância 550 km) e Puerto La Cruz/VE (distância 1.200 km), logística já estudada antes mesmo da plantação, bem como lugar onde os insumos podem ser comprados bem mais em conta. Além é claro da distância do Porto de Itacoatiara/AM (1.000 km), comparada a outros lugares do Brasil.

Para o presidente da FAERR, Sílvio de Carvalho, muitos gargalos já foram vencidos e Roraima está na via certa do desenvolvimento. Segundo ele, o que falta é divulgação para que outros empresários acreditem ainda mais e apostem nesse novo momento do Estado. Outra questão diz respeito a solução do impasse do linhão de Tucuruí que vai ligar a energia do País ao Estado.

“Já passou do tempo de resolvermos de vez esse problema. Se essa solução anda a passos curtos e os empresários já conseguem a façanha de produzir desse jeito, imaginem quando resolvermos a questão energética. Saltaremos a produção e alcançaremos a independência. E porque não dizer: competiremos com outros estados”, previu Carvalho.  

Benefícios
O Estado é geograficamente estratégico localizado numa tríplice fronteira Brasil/Venezuela/Guiana, agora com terras para plantar (após 10 anos da demarcação da Terra Indígena), clima favorável – inclusive para duas safras no ano e, ainda, faz divisa com o Amazonas.

Segundo os organizadores da colheita, um dos fatores tecnológicos decisivos para aumentar a produção foi o estudo promovido pela Embrapa Soja (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias). A pesquisa contribuiu na otimização do grão quanto a composição genética, o que o deixou mais resistente à doenças e pragas, além da maior composição nutricional de proteína e óleo. Outro benefício, segundo pesquisadores, é o tempo de colheita, o grão pode ser obtido em torno de 85 dias.

Outro quesito que será decisivo e positivo para os próximos anos é a conclusão do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) que está em fase de estudos pela Secretaria de Planejamento. O esboço adequado dará mais segurança na hora da tomada de decisões para o setor. 

Novo momento fundiário
O Governo do Estado de Roraima divulgou amplamente que este ano as Terras foram repassadas da União ao poder estadual, o que pode viabilizar estudos fundiários e investimentos. São mais de 4,6 milhões de hectares que poderão servir ao agronegócio, o que fornece mais segurança jurídica e respaldo à produção. Até pouco tempo, o Estado produzia apenas 1,5 tonelada.  Hoje, a região conseguiu aumentar em 30 vezes o valor.

Festa da Colheita 
Todo ano a Comissão promove a Colheita Oficial da Soja no lavrado de Roraima. Nos Dias 2 e 3 e setembro já estão programadas palestras com especialistas do grão e a própria colheita. No dia 2, será no auditório do Centro Amazônico de Fronteira (CAF) da Universidade Federal de Roraima (UFRR). Já no dia 3, haverá o Dia de Campo na Fazenda Luana Luiza - BR 174, Km 473 - Boa Vista.

Fonte: FAERR