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Postado em: 23/09/2011 18:55:00
Fonte: José Luiz Alves Neto / Rural Centro
Editoria: Geral

Produtor de sucesso: produtividade em pequena propriedade rural

Produtor de sucesso: produtividade em pequena propriedade rural

Quando se formou em Medicina Veterinária, em 1994, Alexandre Brandão Nunes, conhecido como Chico, conciliou por 12 anos serviços de consultoria em produção animal com sua atividade particular, tocando a fazenda de 150 hectares que herdou. O tempo no mercado trouxe experiência e conhecimento suficientes para que ele mesmo pudesse fazer a administração rural da Fazenda Tabebuia (nome do gênero neotropical do Ipê), localizada nos arredores de Dourados, interior do Mato Grosso do Sul. “A propriedade é pequena, então eu não deixo espaço ocioso”, pensa Chico.

Com o dinheiro ganho em sua propriedade, Chico comprou há seis anos mais 130 hectares e produz hoje capim napiê para fazer silagem para seu gado e também trabalha com piscicultura.

Criação de pacu
Por volta de 2005, Chico começou a perceber que a piscicultura em Mato Grosso do Sul tinha potencial para crescer. Então começou a estudar a bibliografia sobre o tema para procurar referências sobre estrutura e técnicas de criação de peixes, que hoje já passou a rentabilidade da pecuária na sua fazenda.

Tanque de piscicultura“Percebi que o maior gargalo da piscicultura é a venda. Pra comercializar a minha produção eu comecei a andar e bater de porta em porta. Não fiquei esperando o frigorífico, que é sempre a minha última opção porque é o que paga menos”, recomenda Chico.

Hoje, Nunes trabalha com pacu, tambacu e tambaqui, mas também quer ampliar sua estrutura para criar pintado. Quanto à nutrição, Chico disse que quando começou o investimento chegou a produzir ração com farinha de carne, milho e soja, mas quando resolveu profissionalizar, passou a adquirir ração para peixes com uma fábrica.

Segundo Chico, a produtividade na piscicultura leva em conta a frequência da renovação da água. Como trabalha com pouca renovação, acredita que alcança bom aproveitamento, conforme mostra a tabela abaixo:

Área

Espécies

Tamanho

Produtividade por hectare

Produtividade total

7 hectares
  • Pacu
  • Tambacu
  • Tambaqui
Média 1,5 kg 6 toneladas/ano 42 toneladas/ano

Pecuária: touro reprodutor
Desde que passou a tomar conta da Fazenda Tabebuia e posteriormente da Fazenda Araruna (nome que seu filho escolheu), Alexandre já trabalhava com pecuária de corte e elite, criando tourinhos reprodutores. Com o tempo, passou a focar na pecuária de elite para agregar valor ao que produzia, tendo em vista o espaço limitado. São 15 anos de seleção de touros e melhoramento genético.

Quando começou, a criação de elite era de apenas 10%. Hoje são 80% elite e 20% corte. Chico, que chegou a criar 1300 cabeças, hoje tem 400, pois quando comprou a segunda parte de sua propriedade teve que vender parte de seu rebanho. O pecuarista ainda busca recuperar o tamanho do plantel, que hoje é de 320 cabeças de gado de elite e 80 cabeças de gado de corte, que ocupam 160 hectares das fazendas.

Para a alimentar o rebanho, Chico planta anualmente entre 7 e 8 hectares de capim napier (também conhecido como napiê ou capim elefante guaçu) e colhe 120 toneladas por hectare ao ano para fazer silagem. “Escolhi o napiê porque o maquinário é mais barato e tem qualidade nutritiva razoável. Todo o volumoso eu produzo na fazenda. O concentrado, que é a ração, eu produzo uma parte. Tenho um barracão com uma trituradora, uma misturadora e a matéria-prima é sempre a que está mais disponível na região. Quando o milho está caro, uso aveia, por exemplo. Mas geralmente é milho e soja”, informa Chico.

A propriedade também trabalha com adubação de pastagem. Pelo sistema, Alexandre diz que o custo da pecuária por hectare varia entre 800 a 1000 reais, já inclusos gastos administrativos, e que consegue uma produtividade média de 20 arrobas por hectare. Durante o verão, o gado ocupa o pasto, mas no inverno, por mais que a pastagem esteja em boas condições, é necessário fornecer comida no cocho para não desgastar o solo.

Números e estatísticas
Gado no pasto de capim napiê• Animais em 160 hectares de pastagem adubada
• Capim napiê: 7 a 8 hectares cuja produção de silagem chega a 120 ton./ha/ano
• Custo de produção: R$ 800 a R$ 1000 por hectare
• Produtividade de 20 @ por hectare/ano
• 400 cabeças – 80 de corte e 320 de elite, que passam por avaliação visual e de DEP.

Principalmente por ter um bom índice de recompra, Chico tem boa rotatividade no seu plantel. A principal atividade pecuária é a e venda de tourinhos, cujo melhoramento genético alia o visual com as DEPs. As matrizes raramente são vendidas, sendo comercializadas apenas em casos de descarte.

A reprodução bovina na fazenda é feita com IATF, que atinge índices médios sempre acima de 50%. Depois disso, as vacas que não emprenharam passam por nova observação do cio e são inseminadas novamente. Ao fim da estação de monta, a porcentagem de matrizes prenhes passa os 80%. “Faz 12 anos que eu não trabalho com touro de repasse na fazenda”, lembra Chico.

Produtor de sucesso
Chico morou com sua família na fazenda, que fica distante de Dourados cerca de 60 quilômetros, até os filhos terem idade para estudar. Agora, intercala entre a cidade e o campo. Apesar do pouco tempo, sempre que possível estuda e relembra casos clínicos da época da faculdade. “Acho que a gente tem que tirar 7 em tudo e não 10 em uma matéria e reprovar nas outras”, fala metaforicamente. “Na verdade, o verdadeiro produtor de sucesso não é aquele que administra bem seu negócio. Esse pode ser um exemplo. Mas o sucesso é aquele que tem família e saúde”, simplifica Chico, que tem dois filhos de 14 e 9 anos.

Seus filhos, aliás, começam a esboçar paixão por cavalos e já fazem aulas de tambor, nada tão radical como rodeio, esporte no qual Chico já foi até campeão quando universitário. Sempre apaixonado por animais, Chico prega respeito aos seres. “Eu e minha família devemos tudo aos bichos. Quem me deu tudo que eu tenho foi boi e peixe”, resume. Certa vez, Chico disse que conseguiu “psicografar” a história de um boi, que aproximou-se dele para lamber-lhe a mão no meio da invernada.  O texto conta, na visão do animal, sua vida desde o nascimento até o abate. “Já cheguei a demitir peões que judiavam de cavalo e boi. O homem está no topo da cadeia alimentar e não pode pensar diferente, mas temos que tratar bem os bichos”, finaliza Chico. 

 

1ª foto em destaque: Gustavo Porpino, Embrapa Cerrados

     
 
COMENTÁRIOS
2
Edson Shibayama
Edson Shibayama 
BOA TARDE,
GOSTARIA DE SABER O CONTATO COM O DR.ALEXANDRE BRANDAO NUNES.

GRATO.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011  Responder
Alexandre Brandao Nunes
Alexandre Brandao Nunes 
telefone alexandre - (67))99725276
email - ronocruz@terra.com.br
quinta-feira, 29 de setembro de 2011 
Carlos Borges Assumpção Gattass
Carlos Borges Assumpção Gattass 
Realmente produzir em pequenas propriedades é muito difícil. Só quem faz que sabe. Conheço o trabalho do Alexandre desde 1994 quando faziamos faculdade de veterinária na UFMS. Além disso sou amigo pessoal e cliente de touros. Já compramos touros em 2009 e 2010. Parabéns pelo sucesso Chico.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011  Responder
Alexandre Brandao Nunes
Alexandre Brandao Nunes 
Carlos, vc é suspeito p/ falar, mas agradeço o comentário.
domingo, 25 de setembro de 2011 
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