14 Sep 2016

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Conselho Deliberativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), João Martins, defendeu o compromisso do produtor rural com a preservação do meio ambiente e com ações sustentáveis de produção, já adotadas no campo, com o objetivo de reduzir as emissões de carbono e preparar a atividade agropecuária para as mudanças climáticas. A manifestação foi feita na abertura do 1º Seminário Internacional sobre Resiliência Climática e Descarbonização da Economia, nesta quarta-feira (14/09), na sede da entidade em Brasília (DF). 

O evento reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros em questões climáticas e ambientais para debater temas como a conservação do solo, recursos hídricos, biodiversidade. O encontro apontou os desafios do setor rural frente ao aquecimento global e ao Acordo de Paris, que visa um pacto mundial para frear o aumento da temperatura média do planeta. Segundo João Martins, o debate é uma demonstração clara do compromisso da entidade com o tema e com ações de sustentabilidade dentro da produção, mostrando a preocupação do produtor rural com a preservação ambiental e a adoção de técnicas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura.

“O grande patrimônio do produtor rural é a preservação do meio ambiente. Hoje, a relação entre produção e meio ambiente é discutida ideologicamente. Queremos discutir racionalmente uma proposta que deixe claro que o produtor é um guerreiro na defesa da preservação”, explicou. O presidente da CNA reforçou medidas adotadas pelo Sistema CNA/SENAR voltadas para a questão ambiental, como a recuperação de nascentes e defendeu a regulamentação de dispositivos do Código Florestal. Alertou, ainda, que as secas dos últimos anos e a irregularidade das chuvas têm afetado diretamente a safra, o que reforça a necessidade de aplicação de tecnologias no campo.

Assistência técnica – Para o secretário-executivo do SENAR, Daniel Carrara, a implantação de tecnologias sustentáveis na produção para adaptação à resiliência climática vai estar diretamente ligada à assistência técnica. “A tecnologia por si só não resolve o problema. Precisa estar casada com a rentabilidade. Cada propriedade tem que ter um diagnóstico e as implementações tecnológicas de acordo com a condição de rentabilidade da propriedade. Isso vai garantir, junto com as tecnologias de preservação ambiental, a permanência do produtor rural no campo”, afirmou. Segundo, ele, as ações desenvolvidas pelo SENAR neste contexto visam identificar as tecnologias mais adequadas para a propriedade.

Acompanhamento das ações sustentáveis – Produtor rural e defensor da produção sustentável, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Aroldo Cedraz, informou que o TCU tem se aprimorado para acompanhar a aplicação de recursos públicos em políticas públicas voltadas para o meio ambiente, com a criação de secretarias específicas, que buscam monitorar as ações executadas pelo Estado, por meio de auditorias. No entanto, ele ressaltou que a preservação do meio ambiente deve ter o engajamento de toda a sociedade e lembrou que o órgão liderou a discussão de uma proposta inédita no país sobre a preservação do solo.    

Fonte: CNA