06 Sep 2016

Os investimentos em pesquisa aumentam substancialmente a produtividade da agricultura. Para demonstrar essa relação, a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) avaliou a contribuição da instituição ao desenvolvimento do setor agrícola em todo o Estado. Os números surpreendem: cada R$ 1 investido com recursos públicos em pesquisa, Educação Superior e transferência de conhecimento (extensão rural) na agropecuária paulista resulta em retorno de R$ 10 a R$ 12 para a economia do Estado. O PIB (Produto Interno Bruto) agrícola agradece. “Os investimentos públicos em pesquisa, Educação e extensão na agricultura têm de estar incluídos nas prioridades do Estado de São Paulo em razão de seu alto retorno para a economia e contribuição para o PIB paulista”, diz Paulo Fernando Cidade de Araújo, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, em Piracicaba, que coordenou o estudo.

As informações foram divulgadas na semana passada pela Agência Fapesp. O estudo concluiu que um aumento de 10% nos gastos em pesquisa, Educação Superior e extensão rural resulta em um incremento de 4,8% na produtividade agropecuária. E que cada R$ 1 de investimento em capital humano resulta em um aumento de, aproximadamente, R$ 12 no valor da produção agropecuária paulista quatro anos após o aporte dos recursos. Os números também denotam a importância da agricultura para a economia paulista: o PIB do agronegócio do Estado de São Paulo, que inclui a agropecuária, a produção de insumos, a agroindústria e os serviços, foi de R$ 213 bilhões em 2013, valor que corresponde a 15% do PIB estadual e gerou cerca de 17% dos empregos com carteira assinada naquele ano.

Curva em alta As análises da Fapesp indicam que entre 1970 e 2014 a agricultura paulista obteve um ganho de produtividade total de 2,62% ao ano por fatores não ligados ao aumento da quantidade de insumos usados. A partir de 1994 o ganho de produtividade do setor foi maior, passando a 3,18% ao ano em média. “Utilizando a mesma quantidade de insumos que usava em anos anteriores, o setor agropecuário paulista passou a produzir muito mais em razão de investimentos públicos em pesquisa, Ensino Superior e extensão rural”, garante Araújo. Pesquisa Entre 1981 e 2013, os investimentos médios anuais em pesquisa na área agropecuária, realizados por instituições como a Fapesp, a Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios) e a Embrapa, totalizaram R$ 417,81 milhões.

Os investimentos públicos em Educação Superior, voltada à formação de profissionais e pesquisadores na área, realizados no mesmo período pela Unesp, USP e Unicamp, foram de R$ 415,36 milhões anuais. E os investimentos em extensão rural de instituições como a Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) foram de, aproximadamente, R$ 302,1 milhões anuais. Frase “A magnitude do retorno econômico dos investimentos públicos em capital humano na agropecuária paulista é algo semelhante ao obtido em países como os Estados Unidos, onde cada dólar investido no setor agrícola gerou, no passado, um aumento no faturamento equivalente a US$ 13”, diz Araujo. Faculdades São 51 os cursos de graduação em Ciências Agrárias oferecidos por instituições privadas de Ensino Superior no Estado de São Paulo, os quais formaram 1.646 profissionais em Medicina Veterinária e Agronomia nos últimos anos. Somente a Fapesp investiu R$ 3,4 bilhões entre 1981 e 2013 na área de Ciências Agrárias e afins. Segmentos Entre os temas mais pesquisados nos projetos apoiados pela Fapesp estão bovinos (leite e corte) e cana-de-açúcar, que detiveram, respectivamente, 12,8% e 4,9% do total dos recursos destinados à pesquisa em Ciências Agrárias e áreas afins pela instituição entre 1981 e 2013. Retomada Segundo estudo divulgado nesta semana pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o pior momento da crise já ficou para trás para uma fatia significativa do empresariado.

A pesquisa revela que todos os setores tendem a um cenário mais positivo. Verde Foi inaugurada em Valinhos, no Interior Paulista, a primeira fábrica de painéis solares do Brasil com capacidade de produção em grande escala, numa área de 20 mil metros quadrados às margens da rodovia Anhanguera. A Globo Brasil terá capacidade para produzir até 2.000 painéis fotovoltaicos por dia.

Fonte: Diário do Grande ABC