03 Aug 2016

O cultivo de florestas plantadas no Paraná ocupa uma área de 1,2 milhão de hectares entre pinus e eucalipto, cerca de 6% do espaço territorial do estado. Com uma produção total de 47 milhões de metros cúbicos, a atividade já representa 5,7% das exportações do agronegócio paranaense, atrás apenas do complexo soja e carnes. Apesar de ser o maior produtor de pinus e o quarto maior de eucalipto do País, a produção florestal do Paraná ainda é insuficiente para atender a demanda do próprio estado, que é de 51 milhões de metros cúbicos.Para assegurar o fornecimento de matéria-prima, um dos grandes desafios do setor é investir na produção florestal integrada com sistemas agropecuários, além do uso de áreas degradadas.

Com 70 mil hectares no sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o Paraná lidera o ranking nacional nesta modalidade.Em uma área de 29 hectares no município de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, o produtor rural Edegar José Berton investe na produção de frutas entre os 40 mil pés de eucalipto e os 12 mil de pinus. “Tinha criação de gado, mas a rentabilidade era baixa. Em 2006 uma doença prejudicou parte da produção de caqui e, pelo valor que a madeira valia na época, resolvi investir em floresta plantada. O preço da madeira está defasado, mas é uma boa renda para quem pode esperar para vender”, diz.“O produtor precisa enxergar o cultivo florestal como uma fonte de renda extra a longo prazo, mas integrado com outras culturas como grãos, hortifruti e carne”, explica o coordenador do projeto Madeira do Instituto de Pesquisa e Extensão Rural (Emater), Amauri Ferreira Pinto.

Segundo o diretor-presidente do Instituto de Florestas do Paraná (IFPR), Benno Henrique Weigert Doetzer, as grandes empresas do setor são responsáveis por cerca de 60% das áreas cultivadas com florestas. Entretanto, parte significativa da área pertence a pequenos e médios produtores rurais. Trabalho cooperado Quase 50% da madeira produzida no Paraná é consumida com finalidade energética, sendo que a maior demanda é para a secagem de grãos e produção de aves. De acordo com o assessor técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Gilson Martins, as cooperativas agropecuárias produziram 22 milhões de toneladas de grãos em 2015 e utilizaram uma área de 30 mil hectares de floresta . “Nosso desafio é aproximar a base florestal dos consumidores. Cerca de 20 cooperativas já possuem florestas, especialmente por meio do fomento entre os cooperados”, explica. Política de incentivo ao setor florestal A madeira plantada é o terceiro produto mais exportado do Paraná e responde por 12% de todo o volume embarcado no Brasil, gera 76 mil empregos diretos e 158 mil indiretos no estado.

Embora seja um grande gerador de trabalho e renda, ainda faltam políticas públicas específicas para o setor.Segundo o diretor executivo da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre), Carlos Mendes, o Paraná possui um setor florestal completo, além de uma posição muito forte no segmento de papel e celulose, chapas e energia. “Estamos prontos para que o setor se desenvolva, mas precisamos de políticas públicas que estabeleçam ações coordenadas entre os elos da cadeia”, afirma .Para isso, um grupo de trabalho formado pelo Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Apre, Embrapa Florestas, universidades e setor privado formulou uma proposta para a criação do Plano Estadual de Cultivos Florestais que servirá de base para a elaboração da primeira política pública para a área florestal do Brasil.

De acordo com o coordenador estadual de Produção Florestal do instituto Emater, Amauri Ferreira Pinto, o projeto quer desenvolver e organizar a cadeia produtiva em um plano de 50 anos. “A ideia é inserir o componente florestal dentro do sistema produtivo, integrado a outras culturas, como atividade de médio e longo prazo. Nosso foco é expandir a base florestal produtiva em pequenas e médias propriedades rurais e gerar uma renda extra para o agricultor”, explica Pinto. O grupo tem um prazo de 90 dias para apresentar um anteprojeto de lei aos deputados estaduais. 

Fonte: Gazeta do Povo