21 Sep 2016

A safra de café do Brasil 2016/17, que está na fase final de colheita, deverá atingir um volume de 54,9 milhões de sacas. Segundo uma pesquisa da Reuters com importantes fontes do mercado, o tempo seco em parte da temporada permitiu a produção de grãos de melhor qualidade que no ano passado.

A análise, com 11 operadores, analistas e instituições, apontou um intervalo de projeções de 47,8 milhões a 60 milhões de sacas, um dia antes de a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgar seu número revisado para a safra.

Com os últimos grãos chegando aos armazéns, a maior parte dos especialistas consultados destacou que a próxima temporada (2017/18), cujas primeiras floradas estão começando a aparecer, será menor devido à bianualidade da produtividade dos cafezais.

Contudo, alguns comerciantes disseram que as boas chuvas que atingiram o cinturão cafeeiro nos últimos dias podem acabar gerando uma safra maior que a esperada, se as precipitações continuarem. 

Para o especialista em café da consultoria Safras & Mercado, Gil Barabach, "ainda é muito cedo para falar dos números da próxima safra. Se as chuvas favoráveis continuarem, nós podemos ver uma colheita sólida, com potencial de ser tão grande quanto a atual".

A mediana das projeções para a colheita de café arábica 2016/17 apontou para uma colheita de 43,8 milhões de sacas, superando o recorde de 2012, após safras afetadas pela seca.

Por outro lado, uma menor safra de café robusta, que é consumido predominantemente pela indústria local, foi drasticamente afetada pela pior seca da história recente. A produção de 2017 deverá novamente ser prejudicada, com os cafezais ainda em processo de recuperação.

A produção de robusta (ou Conilon, como a variedade local é conhecida) caiu para 10,75 milhões de sacas em 16/17, segundo a pesquisa, redução de cerca de 30 por cento ante o recorde de 2014.

O vice-presidente da exportadora Wolthers and Associates, Rasmus Wolthers, em Santos, disse que armazéns no Sul de Minas e em São Paulo, região que produz cerca de 80 por cento do arábica do Brasil, estão abarrotados. "Falava-se sobre o estoque de passagem ao fim da temporada 2015/16, em junho, com estimativas que variavam entre 2 milhões de 8 milhões de sacas. Agora, tendo em vista a capacidade apertada dos armazéns após a colheita, que provavelmente aquele volume estava mais perto de 8 milhões de sacas".

Apesar de chuvas no fim de maio e no início de junho, no início da colheita, as cooperativas de café têm relatado que o tempo seco recentemente favoreceu a maior parte do beneficiamento dos grãos, o que significa café arábica com melhor sabor e preços mais elevados.

O presidente da Cooxupé, maior cooperativa cafeeira do Brasil, Carlos Paulino da Costa, indicou que 70 por cento das 5,4 milhões de sacas recebidas de café teve boa qualidade.

Fonte: Reuters