Mudar região - quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Postado em: 30/01/2013 09:19:00
Fonte: Andriolli Costa / Rural Centro
Editoria: Geral

Manejo de abelhas pode aumentar produção de mel em 500%

Manejo de abelhas pode aumentar produção de mel em 500%

Manejo inspirado em técnicas argentinas deve alavancar produção de mel no MS e lança novas perspectivas para a apicultura em todo o País. Em média o brasileiro consome 160g de mel por ano, mas a demanda do mercado é tanta que entrepostos comerciais, como o Vovô Pedro, já foram obrigados a buscar mel até em Rondônia para atender os fornecedores. O produto e seus derivados também são muito procurados por suas propriedades cosméticas e nutricionais. A qualidade de vida não se limita ao consumidor, afirma Gustavo Bijos. “Com até 300 colmeias um apicultor pode trabalhar uma semana e folgar a outra”. Também apicultor, Adriano Adames concorda: “É uma atividade que se paga em um ou dois anos. Com esse manejo diferenciado não conheço nada que dê mais lucro!”, empolga-se.

Nem o calor abafado do cerrado brasileiro e nem as barreiras do idioma desanimaram Jirka Cabalka. Aos 57 anos de idade – 30 dos quais dedicados à criação de abelhas – o tcheco apenas arranha o inglês e não entende uma palavra de português, mas a tudo anotava e fotografava. Desde domingo (27) o apicultor está em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, visitando fazendas de produção de mel e conhecendo um projeto que promete alavancar o estado para uma posição de destaque no cenário apícola nacional.

O guia de Cabalka em sua viagem é Gustavo Bijos, presidente da FAEMS (Federação de Apicultura e Meliponicultura de MS) e um dos responsáveis pela introdução no Estado de um novo método que, segundo ele, pode elevar a produtividade média em MS de 20 kg para pelo menos 70 kg de mel por colmeia/ano. “Isso em uma área ruim!”, destaca ele. “Em regiões como Três Lagoas e Brasilândia, onde as abelhas podem utilizar tanto a florada silvestre quanto a de eucalipto, a produção pode ultrapassar 120 kg”, estima. O valor representaria um aumento de 500%. Foram essas informações preliminares, divulgadas no site da Federação, que chamaram a atenção do produtor tcheco para apicultura sul-mato-grossense. Na semana anterior, Bijos também recebeu um produtor italiano curioso com a proposta.

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Jirka Cabalka Mel Vovô PedroO método foi adaptado de técnicas argentinas para a realidade local pelo apicultor Adriano Adames, que em janeiro de 2012 acompanhou Bijos em visita técnica aos apiários do país vizinho pelo programa MS Sem Fronteiras. “As abelhas deles são europeias e as brasileiras são africanizadas. Demorei quatro meses para conseguir aplicar na minha propriedade e o resultado foi surpreendente”. Ele, que produzia uma média de 30 kg de mel por colmeia/ano, conseguiu chegar a quase 70 kg. Empolgado com o sucesso, o produtor vendeu o pouco gado que ainda tinha e investiu tudo na apicultura. Neste ano, passou de 250 para 500 colmeias e espera tirar 90 kg de cada uma apenas com a florada silvestre.

Os valores podem parecer irreais tendo em vista que a média nacional é apenas de cerca de 20 kg. No entanto, para o inspetor de mel orgânico Paulo Dalastra os números são bastante plausíveis. Ele, que trabalha pela certificação de 72 mil colmeias espalhadas em apiários em todo o Brasil, afirma que 70% da apicultura do país é voltada para a complementação de renda. Desta forma, a atividade não recebe grandes incentivos e o próprio produtor acaba se tornando resistente a qualquer inovação. “Em relação a outros países o Brasil está na época da pedra lascada”, afirma Dalastra. No entanto, quando se leva em conta os campos apícolas, o país está em uma posição privilegiada. “No Canadá, mesmo com um inverno rigoroso, eles conseguem tirar 120 kg de mel em quatro meses. O Brasil tem a capacidade de produzir mel durante oito meses com um clima muito mais estável”.

Aperfeiçoando a Técnica

Produção de mel de abelha

O ciclo de vida da abelha operária é de 45 dias, sendo que praticamente metade disso é entre larva e pupa. “No Brasil, nós costumávamos deixar por conta da natureza o trabalho de formação dos enxames. Como nós só temos cerca de quatro meses de florada silvestre, acabávamos desperdiçando metade do período porque as abelhas ainda estavam se desenvolvendo”, afirma Adames. A técnica argentina exige um domínio avançado do sequenciamento do trabalho com a abelha. A proposta é que, em época de queda de florada, o apicultor se preocupe com a renovação dos enxames e não com a produção de mel. Desta forma, as abelhas estarão prontas para trabalhar logo no primeiro dia de primavera.

Além disso, é preciso fornecer espaços internos rapidamente e trabalhar com a reposição de favos e a troca de rainhas. Por fim, um dos segredos é a alimentação balanceada e a suplementação com o complexo de aminoácidos Promotor L, que de acordo com Bijos é um produto execrado pelo produtor brasileiro. “A apicultura no Brasil ainda é extremamente amadora e quando o produto chegou ao país foi utilizado de forma errada, o que resultou na morte dos enxames. Na proporção correta, no entanto, ele é um grande aliado”, expõe.

Multiplicação do conhecimento
Criação de abelhas apiculturaDentro de 15 dias, Dalastra vai começar a aplicar a técnica de Adames nas 400 colmeias de seu apiário. Uma de suas vantagens é que ela oferece altos índices de produtividade em enxames fixos. “Eu já conseguia tirar uma média de 110 kg de mel, só que eu precisava migrar meu enxame três vezes por ano em busca de novas floradas”, relembra ele. “Agora quem começar na atividade vai ter uma nova ideia do que é a apicultura. É um grande salto, o Brasil inteiro deveria copiar esse modelo”, complementa.

No Mato Grosso do Sul a multiplicação deste conhecimento já está em andamento. Em novembro de 2012, Adriano Adames e Gustavo Bijos iniciaram um curso de apicultura gratuito com duração de um ano para 30 técnicos agrícolas, para que possam repassar as novas técnicas para os demais apicultores do estado. “É uma tentativa de nivelar esse conhecimento e mostrar resultado. Mostrar que a apicultura pode ser a principal atividade econômica de qualquer produtor”, relata Adames. Os módulos do curso acontecem no apiário da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco, localizada na própria capital sul-mato-grossense), escolhido estrategicamente. “Nós pegamos o apiário do zero, cheio de problemas, com cera velha, enxame sem padrão... Aquilo que você encontra no dia a dia mesmo. Em 45 dias aplicando as técnicas conseguimos tirar 40 kg de mel em um período de queda de florada!”, anima-se Bijos. “Nunca vi uma coisa dessas em 15 anos de atividade”, destacou o veterinário.

Mesmo antes do início do curso, o agricultor familiar Julio César Salina, de Guia Lopes da Laguna/MS, já havia começado a utilizar parte das técnicas de Adames. Em sua propriedade, somando todas as suas 50 colmeias, ele costumava tirar 400 kg de mel. Com a orientação de Adames, o produtor buscou crédito pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) do Banco do Brasil e conseguiu investimento inicial para reformar 25 colmeias e adequá-las ao manejo sugerido. Desta forma, trabalhando com metade dos enxames que no ano anterior, ele finalizou 2012 com 1000 kg de mel colhidos. Para este ano, com a expectativa de dobrar esta produção, ele pretende se tornar fornecedor para a merenda escolar, que compra o mel a preço de mercado. Cada quilo do produto sai por R$ 15.

 

Foto em destaque: divulgação (UFMS - CPAN / Marcelo Diamante)

     
 
COMENTÁRIOS
4
FABIO HENRIQUE HOFFAMAN
FABIO HENRIQUE HOFFAMAN 
Bom dia,
Sou apicultor aqui no sul de Santa Catarina e fiquei interessado sobre essa sua técnica ser possível for poderia me dar informações para que eu possa implantar esta técnica aqui na minha região, qualquer informação sobre isto será muito bem vinda, desde já agradeço e fico no aguardo.

Fabio
sexta-feira, 25 de abril de 2014  Responder
Romildo Ricardo da Silva
Romildo Ricardo da Silva 
Bom dia,
Eu sou apicultor aqui no Paraná e fiquei muito interessado sobre essa sua técnica ser possível for poderia me dar informações para que eu possa implantar esta técnica aqui na minha região, qualquer informação sobre isto será muito bem vinda, desde já agradeço e fico no aguardo.
att,
Romildo.
segunda-feira, 17 de junho de 2013  Responder
Romildo Ricardo da Silva
Romildo Ricardo da Silva 
Olá, gostaria de saber mais sobre esta técnica, vc teria algum vídeo sobre o assunto, qualquer coisa entre em contato comigo pelo meu e-mail romildoricardosilva@hotmail.com Muito obrigado e fico no aguardo!
terça-feira, 28 de maio de 2013  Responder
Gustavo Nadeu Bijos
Gustavo Nadeu Bijos 
Olá Romildo,

Como a técnica é muito nova e ainda vamos avaliar a produtividade das colmeias na safra 2013/2014, não produzimos até o momento um material impresso ou eletrônico, mas ficamos à disposição pelo e-mail gnbijos@yahoo.com.br para tirar todas as suas dúvidas a respeito do assunto.

Abraços.

Gustavo Nadeu Bijos
quarta-feira, 29 de maio de 2013 
Sérgio Santa Rosa Tavares
Sérgio Santa Rosa Tavares 
Eu sou apicultor na minha cidade Barra do Choça na Bahia e gostaria muito de saber como é que fuciona esse método argentino para implantá-lo aqui no nosso estado também. Desde ja, muito obrigado e gostaria de trocar informações com apicultores de outras regiões.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013  Responder
Gustavo Nadeu Bijos
Gustavo Nadeu Bijos 
Olá Sérgio, na verdade o método em questão, adaptado às nossas abelhas africanizadas, foi o de produção de rainhas e alguns manejos que vimos por lá, mas há também técnicas implantadas por aqui que foram descritas e publicadas pela primeira vez no final do século 19, mas atualíssimas para as abelhas africanizadas como estamos percebendo. Os manejos implantados aqui no Mato Grosso do Sul, portanto, são uma mescla de técnicas argentinas, brasileiras, europeias e norte americanas, ao mesmo tempo, mas com um diferencial básico: a disciplina e comprometimento na implantação desse manejos que surpreendem! Grande abraço e sucessos!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 
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