JBS diz que queda no consumo de carne já preocupa

22 Jul 2016

Depois de a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) afirmar nesta semana que prevê uma crise histórica no setor motivada pela queda no consumo de carne bovina, o JBS confirmou que tem sentido a retração nas vendas no mercado interno e já se preocupa com as consequências.

A empresa é líder mundial em processamento de carne bovina, ovina e de aves e domina o mercado sul-mato-grossense. Ao Campo Grande News, uma fonte ligada ao grupo JBS afirma que a empresa estima queda de 20% nas vendas de carne bovina no mercado interno.

Conforme a Abrafrigo, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que o consumo de carne está em 32 quilos por habitante no país durante o ano, quando chegou a ficar perto dos 40 quilos por ano em outros períodos.

A fonte ligada ao grupo JBS atribui a queda no consumo a crise econômica. "No ano passado o preço da carne subiu e as pessoas, para economizar, passaram a substituir a carne vermelha por frango, por exemplo. Com o passar da crise, essa mudança começou a impactar o mercado", afirma.

Apesar da expectativa de alta no preço de aves e suínos, devido a valorização do milho, a mudança no perfil de consumo dos consumidores já preocupa a gigante do setor. "A margem tem caído e mesmo assim está sobrando carne no mercado, sem contar que a situação do mercado externo também passa por dificuldades", explica.

A queda na cotação do dólar impacta diretamente no valor pago pela carne exportada e claro, no faturamento total. Os frigoríficos têm ficado receosos na hora de fechar contratos de venda para exportações, prevendo queda ainda maior na moeda norte-americana.

Federação - Para o presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Maurício Saito, essa queda no consumo da carne serve de alerta ao produtor rural, pelo entendimento que há uma crise. "Não podemos também desvincular o consumo de proteína animal, dado a situação econômica que o país enfrenta, que trouxe uma consequência na exportação nacional".

Em contrapartida, mesmo com essa queda na exportação, Saito explica que Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano, aumentou em 7,2% as exportações. A Famasul rebate e afirma que a retração recente do dólar ainda não gerou qualquer impacto sobre a receita com as exportações.

"O cenário no entanto é de cautela, não há ainda uma perspectiva negativa para as exportações de carne bovina mas é importante a manutenção do dólar nos patamares atuais para que a carne bovina brasileira continue competitiva", disse a federação.

De acordo com eles, os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram alta no volume exportado e uma retração no valor, sendo que a redução no valor em dólar ainda é compensada pela taxa de câmbio que aumenta a receita em reais.

No primeiro semestre de 2015 o valor médio da tonelada exportada foi US$ 4.285,31 (R$ 12.727,38) no semestre de 2016 valor médio US$ 3.945,74 (14.638,71). Essa pequena queda é reflexo da retração do preço da carne bovina no mercado internacional,de acordo com a Famasul.

 

Fonte: Campo Grande News / Priscila Peres