13 Sep 2016

Cepea, 13 – Os benefícios da padronização dos hortifrútis para a cadeia de comercialização são muito maiores do que os entraves que ainda dificultam o setor adotar uma linguagem homogênea, da lavoura até o varejo. Segundo levantamento da revista HF Brasil, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a ausência da padronização limita os avanços na qualidade e na venda e amplia as perdas do produto. Assim, todos na cadeia são prejudicados: produtor, comprador e o consumidor.

Então, porque o setor ainda não avançou para a padronização? A resposta principal é que muitos produtores e compradores não têm infraestrutura para classificar o produto. A construção de uma casa de beneficiamento (packing house) demanda investimentos e, principalmente, uma escala mínima de produção para viabilizá-la. A ausência de uma estrutura cooperativista ampla no setor, por sua vez, não permite o beneficiamento coletivo, modelo ideal para viabilizar a produção e o comércio de pequena e média escalas. Sem as packing houses, é muito difícil adotar por completo as normas de padrão estabelecidas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e pelas Ceasas (Centrais de Abastecimento).

Verifica-se, ainda, resistência e “pré-conceitos” de alguns agentes do setor em dar um passo à frente. Produtores, questionados sobre o tema pela HF Brasil, indicam ideias equivocadas sobre a padronização. Entre os relatos, estão: “a padronização aumenta o descarte e reduz o lucro”; “dificulta a venda de um produto de qualidade inferior”; “aumenta os custos de produção”; “não gera retorno desejado, principalmente quando a oferta nacional do produto é baixa”. No geral, esses argumentos não têm base econômica porque o mercado avança se o produto é confiável.

Fonte: Imprensa Cepea