Mudar região - quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Postado em: 05/02/2011 00:00:00
Fonte: José Luiz Alves Neto/Rede Rural Centro
Editoria: Pecuária

Entrevista exclusiva: Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias

Entrevista exclusiva: Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias

Em nota publicada nesta sexta-feira, a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) reconheceu todo o estado do Mato Grosso do Sul como área livre de febre aftosa. A alteração decreta o fim da ZAV, a Zona de Alta Vigilância, formada pela fronteira de treze municípios (Antônio João, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Corumbá, Japorã, Ladário, Mundo Novo, Paranhos, Ponta Porá, Porto Murtinho e Sete Quedas) com o Paraguai e Bolívia. A boa notícia para os pecuaristas significa economia de R$ 80 milhões de reais para o governo do MS, que eram gastos para manutenção da vigilância redobrada.

Na manhã deste sábado, 5 de fevereiro, a secretária Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, da Seprotur/MS (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo), esteve presente no Sindicato Rural de Campo Grande, capital do estado, para prestigiar a premiação dos melhores criadores do ano de 2010 da Novilho Precoce MS (Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Novilho Precoce) e falou com exclusividade à Rede Rural Centro sobre o assunto. Confira abaixo, na íntegra, a conversa.

 

Rural Centro: Depois de ter todo o Mato Grosso do Sul reconhecido como área livre de febre aftosa com vacinação, qual o próximo passo?

 

Agora nós temos a plenitude da sanidade porque não existe mais uma faixa com status diferente. Todo o estado tem a mesma classificação e isso aumenta a responsabilidade em mantê-la.

 

Nós possuímos uma fronteira com dois outros países e esse cuidado tem que permanecer com base nas ações de continuidade desse status. É isso que vamos fazer através da fiscalização, vigilância, educação e apoio maior aos conselhos de sanidade animal que foram criados nesses 13 municípios, em outros do estado também, mas principalmente nesses 13, para que a consciência dos produtores e da sociedade na fronteira não se esmoreça. Não é porque nós conquistamos esse benefício que vamos fraquejar. Pelo contrário. Aquela região alcançou uma condição de qualidade sanitária muito grande e não podemos perder isso.

 

Nós temos que continuar avançando porque a pecuária exige modernidade na genética, sanidade e nutrição. Nessa questão nós avançamos demais e temos que continuar crescendo, só que sem as amarras que travavam o produtor na sua comercialização, dificuldade no manejo e na parte operacional.

 

RC: Houve um alívio para os pecuaristas, mas é agora que o trabalho começa?

 

Não, o trabalho continua. Com mais facilidade, liberdade e responsabilidade por parte do produtor e da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal do MS), que vai fazer a fiscalização dessa região e também o esclarecimento. Não adianta apenas punir, a gente tem que esclarecer e mostrar as coisas porque às vezes as informações não chegam ao campo. Eu acho que nós vamos ter que ser muito bons na comunicação e por isso a educação sanitária é um ponto fortíssimo daqui pra frente, principalmente nessa região.

 

RC: O que muda agora para o produtor? Ele pode esperar por melhor preço?

 

Preço não é bem o caso. Como estamos em uma época de escassez de carne, eu não diria que preço da arroba do boi gordo terá modificação. O que vai se alterar é comércio do gado magro. A dificuldade da comercialização era com bezerro, garrote, novilhas... Gado magro que era o problema, já o gado para abate não tinha tantos obstáculos. Era só o transtorno de ter que chamar veterinário, lacrar caminhão, enfim, a parte burocrática. Isso resolve agora, mas acho que nós podemos ter aumento no preço do gado magro, que dava um trabalho danado com a tal da quarentena. Nem todo mundo queria fazer porque era complicado, as pessoas não tinham muitas informações e acabavam tomando multa por falta de esclarecimento. Acredito que esse aí é o grande ganho, a comercialização do gado magro nos leilões que acontecem naquela região, que tinham as restrições. Isso tudo termina. Já para o boi gordo eu não vejo nenhuma modificação.

 

RC: Que setores da economia no estado podem se beneficiar com essa notícia?

 

Acho que para o estado é muito mais uma satisfação. Como o gado magro não paga imposto, pro estado não muda muito. O Mato Grosso do Sul fica muito satisfeito de poder, junto com os pecuaristas daquela região, alcançar esse status. O produtor que fica mais satisfeito. Ele investe mais na sua propriedade, pode fazer uma melhoria nas suas pastagens, melhorar o seu curral e a sua gestão. Esse é o grande ganho: a segurança de que ele está em uma zona livre e que ele tem o mesmo status do resto do estado, portanto vale a pena investir.

     
 
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