23 Sep 2016

Quase dois anos após os presidentes Barack Obama e Raúl Castro anunciarem o estreitamento das relações, o governo comunista de Cuba quer recorrer a investidores estrangeiros para aumentar a produção de energia renovável após reduções nas importações de petróleo barato da Venezuela. O governo formado por Fidel Castro em 1959 e liderado por seu irmão, Raúl, tenta vender grandes projetos eólicos e solares e usinas de biomassa que funcionam à base de cana-de-açúcar a empresas estrangeiras em conferências, como a que começa na quinta-feira em Havana. O objetivo é captar bilhões de dólares para setores que até recentemente eram controlados por entidades estatais e elevar a parcela de eletricidade gerada por fontes renováveis dos 4% atuais para 24% até 2030.

A mudança tem muito menos a ver com a ideologia do que com a oferta e a demanda. O país depende muito das usinas de energia movidas pela queima de petróleo que funcionam com as importações subsidiadas da Venezuela.

Com a crise econômica deste país, que ameaça essas remessas, as autoridades cubanas temem o retorno da turbulência do início dos anos 1990, quando o financiamento da antiga União Soviética começou a secar. É inédito que o governo esteja fazendo uma apresentação aberta dessa escala a empresas internacionais, disse Andrew MacDonald, diretor e vice-presidente da Havana Energy, responsável pela construção de usinas de biomassa em refinarias de açúcar. Isto é uma prioridade máxima para o governo cubano.

A iniciativa de uma década de Fidel Castro para melhorar a eficiência energética e introduzir a energia renovável não conseguiu reduzir a dependência de Cuba em relação ao petróleo, ao gás natural e ao diesel, que geram 95 por cento da eletricidade do país, segundo um relatório anual de 2015 do Escritório Nacional de Estatísticas de Informação do governo.

A nova meta de aumentar em 2,1 gigawatts a capacidade das usinas de biomassa, parques eólicos, projetos solares e geradores hidrelétricos custará cerca de US$ 3,5 bilhões, segundo estimativas do governo.

Cuba informou recentemente que, para chegar lá, permitirá que empresas estrangeiras sejam proprietárias de projetos, em algumas circunstâncias, em vez de exigir que formem joint ventures com empresas estatais.

O governo Obama também criou isenções ao embargo econômico dos EUA para permitir que as empresas exportem produtos e tecnologia para a ilha.

“As oportunidades por lá são enormes”, disse Bernardo Fernández, diretor de operações para o México da Hive Energy, uma empresa britânica que fechou acordo para construção de um projeto solar de 50 megawatts na zona de livre comércio de Mariel, nos arredores de Havana. “Eles não precisam realmente atrair ninguém. Basta que abram o caminho para as empresas”.

Fonte: Celulose Online