12 Jul 2016

O Governo da Coreia do Sul já decidiu que irá importar carne suína de Santa Catarina. O diretor da Qia (Agência de Quarentena Animal e Vegetal), o órgão de controle sanitário do país, Bong-Kyun Park, ratificou a decisão sul-coreana em comunicado à comitiva catarinense liderada pelo governador Raimundo Colombo, na sede do órgão, em Gimcheon, na manhã desta segunda-feira (11/07), horário local. Bong-Kyun disse que faltam apenas questões administrativas a serem tratadas entre os Ministérios da Agricultura da Coreia do Sul e do Brasil. A reunião começou pontualmente às 11h e terminou pouco depois do meio-dia.

À tarde, a partir das 16h, o encontro foi com o diretor-geral de Cooperação Internacional do Ministério da Agricultura, Kim Dukho, em Sejong. Dukho parabenizou Santa Catarina pelo status sanitário e destacou que é a primeira vez que a Coreia do Sul decide importar carne suína de uma região e não de um país. “Chegamos a conclusão que Santa Catarina tem êxito na área de sanidade animal, principalmente em relação aos controles de febre aftosa e da peste suína clássica”, afirmou Dukho. Os dois encontros na Coreia do Sul foram articulados e agendados pela Secretaria de Assuntos Internacionais.

Das oito etapas de negociações, seis delas já foram cumpridas. As duas últimas preveem a inspeção e habilitação dos frigoríficos catarinenses e a negociação comercial entre os dois países.

Em sua exposição, Bong-Kyun, que está no cargo há cinco meses, ressaltou que a importação de carne suína de Santa Catarina foi discutida diversas vezes desde que assumiu a função. “A posição agora está na fase final das negociações”, afirmou. Bong-Kyun disse que os técnicos sul-coreanos deverão fazer as inspeções nos produtores e frigoríficos catarinenses em 2017.

O governador Raimundo Colombo mostrou, nos dois encontros, a força da agroindústria catarinense, com um rebanho de 7 milhões de suínos e mais de 200 milhões de aves. “Santa Catarina abate 27,5% dos suínos do Brasil, conta com 10 mil granjas de produção e é o único estado do país com zona livre de febre aftosa certificada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)”, ressaltou Colombo, ao destacar que o estado também conta com o selo de área livre de peste suína clássica ao lado do Rio Grande do Sul.

O governador apresentou o mapa das 63 barreiras terrestres de controle sanitário que operam 24 horas nas divisas entre o Paraná e o Rio Grande do Sul como um dos diferenciais de Santa Catarina.

O embaixador Luis Fernando Serra disse a Bong-Kyon e a Kim Dukho que o governador Raimundo Colombo veio para a Ásia só para visitar os dirigentes do governo sul-coreano. Lembrou que a Coreia do Sul é o terceiro maior mercado do Brasil na Ásia e o sétimo no mundo. “Os negócios entre os dois países precisam ser ampliados e a exportação de carne suína contribuirá para isso”, observou e solicitou que a inspeção sul-coreana ocorra ainda em 2016, vencendo as etapas burocráticas.

O secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond Vieira, convidou Bong-Kyon para fazer uma palestra sobre controle sanitário no Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Lages. Bong-Kyon agradeceu pelo convite e prometeu estudar a participação. Depois da troca de lembranças com a comitiva catarinense, Bong-Kyon deixou a reunião, que prosseguiu com os veterinários Ahn, Yeong-Chang e Park, Jee-Yong. Os dois explicaram como serão os próximos passos das negociações.

Após as duas reuniões, antes de retornar para Seul, o governador Raimundo Colombo comemorou a decisão da Coreia do Sul de importar carne suína de Santa Catarina. “Agora, temos uma última etapa a vencer que é a visita e a inspeção nos nossos frigoríficos e, a partir daí, ampliar a geração de empregos e desenvolver ainda mais o estado”, afirmou. “É o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos produtores, pelas agroindústrias, pelos técnicos e pelo Governo que investe no controle sanitário”.

Para o secretario da Agricultura, Moacir Sopelsa, Santa Catarina deu um passo muito grande com a conquista do mercado sul-coreano, que deve ocorrer em breve. Disse que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, deve visitar a Coreia do Sul em setembro para a concretização do acordo entre os dois países. “A vinda do governador Colombo à Coreia do Sul foi importante e mostrou o compromisso do estado de manter o status sanitário, garantindo assim as exigências sul-coreanas para a liberação final do certificado”, salientou Sopelsa.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gelson Merisio, também comemorou a decisão da Coreia do Sul de comprar a carne suína de SC, apesar de ainda faltarem etapas burocráticas para que o estado tenha um grande mercado aberto na Ásia. “É mais um mercado que se abre, o que garante estabilidade nos investimentos realizados pelos produtores de suínos, principalmente no Oeste”, disse. O deputado lembrou que são mais de 90 mil famílias de agricultores que somam toda a produção em pequenas propriedades e que serão muito beneficiadas com a abertura desse mercado.

O diretor-executivo do Sindicarnes, Ricardo de Gouveia, projeta que Santa Catarina venda pelo menos 30 mil toneladas por ano assim que forem liberadas as exportações de carne suína para a Coreia do Sul.

Também fazem parte da missão catarinense à Coreia do Sul: o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Celesc, José Carlos Oneda; o diretor de Economia Internacional da Secretaria de Assuntos Internacionais, Guilherme Marques; o diretor de Imprensa da Secretaria de Comunicação, Claudio Thomas; e o Ajudante de Ordens do governador, tenente-coronel Rogério Vidal.

 Participaram das reuniões, realizadas na sede da Qia e no Ministério da Agricultura, o embaixador do Brasil na Coreia do Sul, Luis Fernando Serra, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gelson Merisio, os secretários da Agricultura e da Pesca, Moacir Sopelsa, e de Assuntos Internacionais, Carlos Adauto Virmond Vieira, o diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Carnes de SC, Ricardo de Gouveia, e o médico veterinário do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária, Diogo Ramôa Ramos.

 

Fonte: Secretaria de Agricultura de SC