Brasil vai vender carne in natura para os EUA

02 Aug 2016

Após uma negociação de 17 anos, os governos do Brasil e dos Estados Unidos formalizaram ontem a abertura do mercado norte-americano para a carne bovina in natura brasileira. A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto com a presença do presidente interino Michel Temer e da embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, além dos ministros da Agricultura, Blairo Maggi, e das Relações Exteriores, José Serra.

O acordo entre Brasil e Estados Unidos foi selado na semana passada em Washington, durante o IX Comitê Consultivo Agrícola (CCA). Segundo o governo, a expectativa é de que os embarques comecem em 90 dias, após a finalização dos trâmites administrativos.

Chamada de "equivalência dos controles oficiais de carne bovina", a oficialização permite que tanto o Brasil poderá vender o produto ao mercado norte-americano quanto os Estados Unidos para o brasileiro. "Estamos fazendo hoje um reconhecimento que o status sanitário dos EUA e do Brasil são iguais, se complementam, e uma boa parte do mercado internacional se abre a partir deste momento", disse Maggi.

A expectativa é de que os ganhos com exportações sejam ampliados em US$ 900 milhões. De acordo com o governo, os frigoríficos brasileiros terão uma cota de até 64,8 mil toneladas por ano de carne fresca e congelada para exportar aos Estados Unidos.

O Brasil também terá a oportunidade de disputar com outros países uma cota adicional de 65 mil toneladas anuais de carne bovina dos Estados Unidos.

Segundo representantes da indústria pecuária, o País teria capacidade de suprir sozinho essa cota e ainda deve ser rapidamente o líder entre os concorrentes, já que os preços da carne bovina brasileira são mais competitivos.

Entre os países que seguem a mesma regra estão Canadá, México, nações caribenhas e ainda mercados orientais, como os disputados Japão e Coreia do Sul, cujos preços pagos chegam a três vezes o valor recebido hoje pelas companhias brasileiras.

Em um discurso rápido - praticamente todo para exaltar o trabalho de Maggi -, o presidente interino Michel Temer disse que o ministro dá exemplo "de um governo que não para" e repetiu que a abertura das exportações de carne fresca e congelada para os EUA significa a abertura da carne brasileira para outros países. "Nesses 80 dias, fizemos coisas boas no governo, e a principal foi escolher os ministros", afirmou Temer no início de sua fala de pouco mais de cinco minutos.

Serra recordou que a abertura do mercado é resultado de um esforço de mais de 17 anos. "Hoje, culminamos uma fase iniciada em 1999, em várias administrações presidenciais atrás." O Brasil já vende carne bovina industrializada para os EUA. Em 2015, de acordo com dados do governo, as exportações somaram US$ 286,8 milhões.

Fonte: Jornal do Comércio