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Postado em: 22/04/2008 08:25:40
Fonte: DCI - Diário do Comércio & Indústria
Editoria: Geral

Brasil exporta trigo apesar da crise, e a preços mais baixos

Em meio à crise de abastecimento de trigo no Brasil e o forte reajuste nos preços dos seus derivados produtores brasileiros exportaram 490 mil toneladas do grão só nos três primeiros meses de 2008, conquistando até mesmo novos mercados para o País.

A receita gerada com essas vendas alcançou a marca de US$ 145,9 milhões e os principais destinos foram Paquistão, Marrocos e Argélia, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Fontes do mercado acreditam que este trigo tenha saído do Rio Grande do Sul, estado auto-suficiente na produção e maior produtor do País.

Se o desequilíbrio entre oferta e demanda que teve início com a proibição das exportações de trigo da Argentina, principal fornecedor do País, não tivesse conseguido se impor aos atrativos do livre mercado não seria de se estranhar, mas esse trigo foi vendido, em média, por cerca de R$ 500 por tonelada, preço inferior ao praticado atualmente no mercado interno que é próximo de R$ 800.

"Possivelmente essa quantidade deve ter sido contratada em outubro quando a situação não tinha se agravado tanto", avalia Claudio Furlan, presidente do Sindicato das Indústrias do Trigo (Sindustrigo-RS). No entanto, vale lembrar, que já no primeiro semestre de 2007 a Argentina havia proibido os embarques de trigo e que mesmo no ano passado as cotações da commodity já estavam em aceleração.

Furlan ressalta que a maior parte do volume exportado trata-se de um trigo do tipo soft, que não é utilizado pela indústria de panificação e massas, o que pode ter estimulado a sua comercialização para o mercado externo.
Dessa forma a mais prejudicada é a indústria de biscoitos que em razão da escassez do produto já promoveu um reajuste acima de 20% nos seus produtos nos últimos 12 meses encerrados em março.

Segundo José dos Santos Reis, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Biscoito (Anib), o segmento está tentando assimilar um prejuízo de pelo menos 8%, que não será repassado para varejo e ao consumidor devido à dificuldade de negociar com os mesmos.

"Vamos segurar o repasse porque nosso consumidor não é fidelizado e a possibilidade de ficar algumas semanas longe das prateleiras de alguma grande rede seria quase um suicídio comercial", diz Reis.

Na onda das exportações, até mesmo os moinhos, principal voz junto ao governo federal para que a questão de abastecimento seja solucionada, venderam uma pequena parte da sua produção de farinha de trigo: cerca de 191 toneladas vendidas no último trimestre para Estados Unidos, Paraguai e Angola, gerando uma receita de US$ 153 mil.

Atualmente a demanda brasileira por trigo é da ordem de 7,3 milhões de toneladas. Apesar da quantidade exportada pelo País parecer pequena as 490 mil toneladas vendidas seriam o suficiente para abastecer os moinhos por mais de um mês.

De acordo com Luiz Martins, presidente do conselho deliberativo da Associação Nacional da Indústria de Trigo (Abitrigo), os estoques da indústria nacional são mínimos. "Hoje nosso estoque deve estar entre 200 mil e 300 mil toneladas. A indústria nacional consome cerca de 800 mil toneladas por mês", destaca.

Na contramão da saída de trigo do Brasil o setor industrial segue com suas ações para facilitar as importações do grão. Na última sexta-feira, 18, membros das principais entidades da triticultura viajaram para Argentina para dar continuidade às negociações para a volta dos embarques do trigo vizinho para o Brasil.

Nos próximos dias essas lideranças também deverão se reunir com o governo federal para cobrar algumas medidas, entre elas as principais são: a suspensão imediata da Tarifa Externa Comum (TEC), desoneração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o trigo e seus derivados e inclusão dos produtos derivados de trigo no projeto de reforma tributária.

Produção nacional

A proposta de criação de um pólo de produção de trigo no Brasil Central não está animando muito o setor industrial. Mais que projetos de expansão a preocupação se dá quanto aos preços internacionais que podem fazer o produtor desistir do plantio.

"No passado já houve vários projetos de trigo irrigado no cerrado, mas o trigo com preços mais baixos no mercado internacional desestimularam o plantio. Talvez agora com as commodities com preços mais elevados vá para frente essa produção", afirma Furlan, do Sindustrigo-RS.
     
 
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