27 Sep 2016

A produção agropecuária brasileira quadruplicou nos últimos 40 anos, mais especificamente no período de 1975 a 2010, impulsionada especialmente pelos ganhos de produtividade obtidos nas fazendas. Este é o destaque do livro “The Economics and Organization of Brazilian Agriculture/A economia e a organização da agricultura brasileira, na tradução livre em português”, lançado nesta semana [quarta-feira, 21], em São Paulo (SP), por Fábio Chaddad, Ph.D em economia aplicada, com especialização em agronegócios, que ocupa hoje o cargo de professor associado de economia agrícola da Universidade de Missouri [Estados Unidos] em parceria com o Insper Brasil.“A obra conta a trajetória de como um país pobre e importador de alimentos se tornou, em 40 anos, a terceira maior potência agropecuária do planeta – considerando o volume de exportações -, atrás somente dos Estados Unidos e da União Europeia”, disse o autor no lançamento.

Em sua exposição, Chaddad pontuou que foi a combinação de pesquisa, tecnologia, recursos naturais, empreendedorismo e cadeias verticalizadas de produção que viabilizou o sucesso da agropecuária brasileira. No tocante à pesquisa, o autor frisou que é preciso sempre lembrar o pioneirismo dos institutos estaduais, como, por exemplo, o Agronômico de Campinas e o Iapar do Paraná, em esforço que ganhou voo de cruzeiro com a criação da Embrapa, a partir da década de 70.De acordo com Chaddad, o livro mostra que a Produtividade Total dos Fatores (PTF) da agropecuária brasileira cresceu em torno de 3% ao ano de 1975 a 2010, superando todos os demais países. “Somente a China acompanhou de perto. A PTF dos EUA, por exemplo, foi de 1,3% ao ano.” Este avanço, destacou o autor, proporcionou uma queda de 80% no preço da cesta básica do brasileiro no período. “Conquistamos a segurança alimentar”, acentuou.

Além disso, Chaddad ressaltou que em um espaço mais curto de tempo, no caso de 1980 até 2010, o superávit da balança comercial do agronegócio brasileiro alcançou R$ 664 bilhões. “Dos outros setores, o saldo chegou a R$ 313 bi.”Na apresentação da obra, Chaddad segmentou o perfil da agropecuária brasileira, dividindo-a em três principais regiões. O sul, segundo ele, é marcado pelo cooperativismo, produção mais diversificada, com agregação de valor. O sudeste se notabiliza por cadeias integradas de commodities, com destaque para cana-de-açúcar e laranja. E o Centro-Oeste, claro, tem como força a agricultura de grãos e fibras em larga escala, e a pecuária. Para o futuro, Chaddad demonstrou preocupação com a, nas palavras deles, tendência de consolidação excessiva das propriedades rurais, bem como pelo desafio de se abrir novos mercados no comércio internacional. “A cadeia de valor do agronegócio brasileiro termina nos portos de Santos e Paranaguá. O setor precisa chegar até o consumidor internacional.”

Fonte: Famasul