(*) por Gustavo Melo

Para manejar os bovinos de forma racional é preciso, antes de tudo, compreender como eles percebem o ambiente. O funcionamento dos sentidos (audição, visão, tato e paladar) e suas percepções do ambiente condicionam grande parte das reações destes animais. No tocante à audição, alguns fatos importantes podem facilitar o manejo e promover bem-estar a estes animais, gerando benefícios para todos.

A audição é mais sensível nos bovinos do que nos seres humanos. O sentido auditivo dos bovinos também os permite ouvir e identificar familiares. Por exemplo, um bezerro é capaz de reconhecer o mugido de sua mãe (HEFFNER, 1998).

A sensibilidade dos bovinos ao ruído varia com idade: bezerros reagem mais rapidamente aos sons novos do que animais adultos (LANIER et al., 2000 apud MOUNAIX, 2007), mas o temperamento do animal também é um fator importante da variação.

Os sons agudos (altas frequências) provocam agitação, medo. Já os sons graves (frequências baixas) tendem a acalmar o animal (ARAVE, 1996).

O gado adapta-se rapidamente ao seu ambiente usual, identificando os ruídos diários da fazenda. Assim sendo, ruídos novos ou inesperados os conduzem a reações alarmantes. O bovino pode memorizar sons e associá-los com uma experiência prévia. Assim, o som do trator pode ser associado com a chegada do alimento, e um som metálico, por exemplo, do brete, pode lembrar o animal de uma experiência dolorosa.

O bovino é sensível à voz humana e pode identificá-la. As variações na voz e o reconhecimento (ou não) da chamada da pessoa conduzem às mudanças de comportamento (WAYNERT et al., 1999 apud MOUNAIX, 2007). Assim, um grito humano pode causar agitação e aceleração do ritmo cardíaco. Os seres humanos podem desprender sinais calmos ou que anunciam o perigo, provocando o medo nos animais, gerando inquietude. Um estudo mostrou que as vacas preferem um ser humano que fale calmamente a um que grite.

Uma comunicação com o animal é possível através da voz humana. Este fato pode ser observado em bezerros que são capazes de responder a seu nome quando são chamados para mamarem em suas mães (MURPHEY e DUARTE, 1983).

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* Gustavo Melo é médico veterinário, especialista em produção de gado de corte – Rehagro

 

Foto: Thaiany Regina / Rural Centro